Tecnologias em Educação

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Linguagem Logo


Em informática, Logo é uma linguagem de programação interpretada, voltada principalmente para crianças e aprendizes em programação. Ela implementa, em certos aspectos, a filosofia construtivista, segundo a interpretação de Seymour Papert, co-criador da linguagem junto com Wally Feurzeig.

Papert, matemático que trabalhou com Jean Piaget (donde a ideia da filosofia construtivista), é co-fundador do Media Lab no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

O ambiente Logo tradicional envolve uma tartaruga gráfica, um robô pronto para responder aos comandos do usuário. Uma vez que a linguagem é interpretada e interactiva, o resultado é mostrado imediatamente após digitar-se o comando – incentivando o aprendizado. A maioria dos comandos, pelo menos nas versões mais antigas, refere-se a desenhar e pintar.

Existem também comandos para se controlar a porta paralela do computador, fazendo com que seus pinos de I/O's (Input/Output - Entrada/Saída) adquiram níveis lógicos 0 ou 1, entre outras coisas.

É possível escrever programas mais complexos não-interactivamente, executando blocos de instruções de uma vez.

A linguagem Logo é adaptada nos diversos países em que é utilizada. Assim, no Brasil, algumas versões da linguagem foram "traduzidas" em suas palavras-chave e comandos; já outras versões, como o AF LOGO, foram totalmente reescrita, possuindo um vasto dicionário, incluindo palavras e expressões novas, particulares de nosso idioma. O AF LOGO é considerado a mais completa linguagem LOGO, criada exclusivamente para a língua portuguesa e pode ainda "entender" outros dialectos LOGO, como o Micromundos (Microworlds), MSWLogo, SuperLogo, etc. Nos programas que foram simplesmente traduzidos por exemplo, "to" foi traduzido para "aprenda", "forward" foi traduzido para "parafrente", etc. Mas mesmo em português, o vocabulário limitado e inflexível se torna um empecilho para os alunos, pois ao contrário do inglês, no português temos muito mais variações de escrita e expressões para dizer a mesma coisa. No AF LOGO, o comando para mandar a Tartaruga andar para frente, pode ser escrito e é entendido com diversas grafias, ex: PARAFRENTE, FRENTE, ANDE, PARA_FRENTE, ANDAR, ANDA, etc...
Para conhecerem um pouco mais este projecto cliquem no link projecto Logo dos favoritos do 2º ano.

"A familia em rede" - Reflexão - 3º Capitulo

Mais uma vez, é válido que estamos perante uma leitura amigável…que nos transmite ideias fortes mas de forma simples e sem ser forçada.
A primeira ideia forte que encontro neste capítulo é a referência a dois tipos de aprendizagens. A aprendizagem do tipo familiar e a aprendizagem do tipo escolar. De facto, se pensarmos bem sobre o assunto, a aprendizagem do tipo familiar, que não tem necessariamente a ver com uma aprendizagem feita através de um familiar, é feita através da experiencia pessoal, e é dessa forma que mais nos interessamos pela aprendizagem, através do desafio que ela representa. Quanto tempo é que demorámos a aprender ou a fixar, para alguns, na escola que dois mais dois são quatro? E quanto tempo demorámos a perceber com a ajuda de tentativas, que carregando no numero dois de um comando da televisão dava um canal completamente diferente do que se carregássemos no numero quatro? Sei que parece um exemplo descabido…mas transmite a ideia do autor acerca destas duas aprendizagens.
Penso que posso relacionar o tipo de aprendizagem familiar com o construtivismo, em que o aluno auto dirige a aprendizagem, em que o papel do professor é criar condições para que o aluno possa compreender e aprender algo novo, e não fornecer conhecimentos, que no dia-a-dia o aluno já os consolidou.
O autor refere também a existência do bom e mau software, onde aborda as características de um mau software e as vantagens de um software “faça você mesmo”. Neste contexto Papert põe uma questão:
“Será a criança a comandar a máquina, ou a máquina a comandar a criança?”
Na maior parte das vezes, e principalmente com o tipo de mercado que existe, com publicidade enganosa, podemos concluir que a máquina comanda a criança, como se esta fosse uma máquina de respostas, em vez do contrario…ou seja, trata-se da mesma coisa que estar numa sala de aula a repetir vezes sem conta a tabuada. Deveria ser a criança a comandar, praticando a arte de pensar, da dedução, experimentando as dificuldades, chegando assim, á aprendizagem.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

E-learning / Blended learning (5ª Semana)

O e-learning apresenta-se hoje como um meio de formação inovador, que permite optimizar a gestão do activo mais precioso das organizações - O Capital Intelectual.
Traduz-se numa oportunidade de aumentos de eficiência, permitindo que a formação se torne oportuna, em oposição a uma formação em que a informação é acumulada, com um follow up mais eficaz, minimizando os custos ao nível das deslocações e da ausência do posto de trabalho. Permite também aos formandos a inexistência de limitações geográficas e permite um horário flexível para a sua formação. Para tirar proveito deste regime deve-se ser auto-motivado, auto-disciplinado, com objectivos pessoais e direccionados para esses objectivos. É necessário também saber aceitar criticas e transmitir ideias através da escrita.
O Blended learning é considerado a perfeita combinação e integração de diferentes tecnologias e metodologias de aprendizagem, misturando formação online e presencial, como por exemplo, a realização de um exame, indo ao encontro das necessidades especificas das organizações e cumprindo os seus objectivos de forma global, melhorando a eficácia e a eficiência do processo de aprendizagem. Promove a redução de custos e a maximização da qualidade da formação.
Na minha opinião, estes são tipos de formação bastante completos e eficazes, desde que sejam bem aplicados, e aplicados a pessoas que estejam dispostas a este tipo de aprendizagem, e motivadas para a organização do seu próprio tempo de trabalho e formação, apesar de que a utilização dos computadores e da Internet serem bastante convidativos.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

4ª Semana em Tecnologias Educativas II

Antes de iniciar a minha reflexão das aprendizagens desta semana, deixem-me fazer-vos uma breve, muito breve introdução ao Home Schooling.
Trata-se da instrução de crianças em casa, por parte, principalmente, dos pais ou tutores dessas mesmas crianças. É uma opção para os pais que desejam fornecer às suas crianças um ambiente de aprendizagem diferente, e talvez, na sua perspectiva, mais saudável do que o que existe nas escolas públicas. É também uma alternativa para as famílias que são incapazes, por razões práticas ou razões pessoais, de se comprometerem com os regulamentos de uma escola pública.
Esta semana, na aula teórica de Tecnologias Educativas II, focámo-nos na seguinte questão:
"Será que as novas tecnologias modificam o modo como os professores estão habituados a ensinar e os alunos a aprender?"
Podem existir três respostas distintas a esta pergunta:
- Optimista, em que é considerado que as novas tecnologias vão mudar tudo para melhor, permitindo a descentralização, e em que em qualquer lugar é possível obter qualquer informação;
-Pessimista, em que as novas tecnologias são vistas como um problema, desvalorizando o papel dos professores;
-Realista, onde são identificadas as vantagens e as desvantagens.
Para este efeito foram realizados vários estudos, incluindo o estudo Pelgrum, sobre o uso das tecnologias na Educação e os principais obstáculos á sua utilização.
Nestes estudos verificaram que o acrescento de tecnologias no ensino não trazia nada de positivo, chegando assim á conclusão que se o ensino tradicional não fosse alterado, as tecnologias não iriam alterar nada, sendo o ponto de partida, a integração criativa das novas tecnologias no ensino.
Ao pesquisar na Internet sobre a inovação das práticas pedagógicas encontrei um artigo sobre as 10 novas competências a ensinar, por Perrenoud, e achei que era uma forma bastante interessante de referir estas inovações. As 10 novas competências por Perrenoud são as seguintes:
1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem;
2. Administrar a progressão das aprendizagens;
3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação;
4. Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho;
5. Trabalhar em equipa;
6. Participar da administração da escola;
7. Informar e envolver os pais;
8. Utilizar novas tecnologias;
9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão;
10. Administrar a sua própria formação contínua.
Voltando atrás, julgo que estas práticas acabam por induzir aquilo que deve mudar no ensino para que as novas tecnologias tenham impacto sobre o mesmo, e para que esse impacto seja positivo.
Um dos outros estudos que a professora nos falou explicava que por norma, os rapazes tem uma atitude mais positiva em relação aos computadores do que as raparigas, tendo em conta também, que a maioria dos softwares existentes apelam muito mais para o imaginário masculino do que o feminino.
Penso que posso afirmar que apesar da rápida evolução das novas tecnologias no nosso dia-a-dia, elas ainda tem um extenso caminho a percorrer no ensino, pelo menos enquanto não se alterarem algumas das práticas educativas.
Deste modo, posso afirmar que, como Papert, tenho uma atitude realista em relação às novas tecnologias. Julgo que, podemos fazer uma infinidade de coisas que nos ajudam e nos facilitam a vida, visto termos acesso a imensas informações.
Por outro lado, essas imensas informações, se não forem devidamente equilibradas podem ter um efeito negativo naquilo que procuramos.
Obrigada

terça-feira, 9 de outubro de 2007

"A familia em rede" - Reflexão - 2º Capitulo

Que futuro terá a Educação na Era Tecnológica?
Papert identifica duas posições diferentes a esta questão, a optimista e a pessimista, designadas pelas Ciberutópicos e Cibercríticos, respectivamente.
Os primeiros vêem a revolução digital como algo que só nos vai trazer coisas boas e oportunidades a todos os níveis.
Os Cibercríticos reagem a esta questão como algo que nos vai prejudicar mais do que já prejudicou, tendo em conta tudo o que já investimos na tecnologia e de onde não retiramos nada de oportuno.
Posso afirmar que me sinto na mesma base que o autor, não vejo a tecnologia como algo de negativa mas também não a vejo como algo que nos venha salvar. Penso que em tudo existe prós e contras.
Gosto sobretudo do modo como o autor transpõe para o papel o sentimento de desagrado ou frustração quando se apercebe que existem mais pessoas no ensino, que julgam planificar as aulas com os computadores de uma forma ideal, quando esse ideal está longe de ser atingido, do que aqueles que o fazem, de facto, com algum bom desempenho.
Ele dá o exemplo da aprendizagem da tabuada, que apesar de se fazer uso ao computador, este uso é desonesto para com as crianças, porque apela também á memorização mecânica que sempre se usou, contrariando assim, a ideia de que as escolas devem fomentar os valores morais das crianças e de que a verdade das aprendizagens é o mais importante.
Para além disso, Papert dá exemplos de acontecimentos que valorizam o papel dos computadores e demonstram também o entusiasmo, por parte das crianças, na sua utilização, validando a ideia de que os computadores possibilitam às crianças a experimentação da excitação de procurarem e pesquisarem os conhecimentos em que estão interessados.
Isto faz-me reflectir nos meus problemas na escola, em que olhar durante 60 minutos para a professora a falar sobre algo que eu ainda não tinha percebido muito bem o que era, e muito menos percebido a importância que aquilo tinha para o meu desenvolvimento…será que, se as novas tecnologias já estivessem inseridas no nosso ensino com sucesso, existiriam formas mais interessantes e excitantes de dar a matéria que os professores são induzidos a dar através do currículo?
Não que isto fosse a solução, como é referido pelo autor, referindo-se aos ciberavestruzes como aqueles que querem aplicar o uso dos computadores nas escolas, mas apenas como um suporte para os programas já existentes, e que supostamente são pobres, do ponto de vista do autor, mas julgo já ser um ponto de partida.
Outros dos pontos mais importantes e interessantes para mim neste capítulo, é a referência á literacia e á fluência.
O primeiro, de uma forma resumida, diz respeito às competências adquiridas por um sujeito em uma determinada actividade, o segundo diz respeito á forma e o á vontade que esse sujeito tem para utilizar essas mesmas competências. O que é que isto implica?
Implica que o ser fluente em algo advêm da utilização, da prática e do esforço para resolvermos questões e situações.
Nunca tinha pensado neste facto desse prisma, mas de facto é verdade…a forma fácil e desprendida de medos que as crianças têm para retirar do computador os resultados que procuram, apenas com a experimentação, enquanto nós ficamos á espera de uma luz, com o receio de fazer algo de mal. Tem tudo a ver com a fluência que elas adquirem na utilização do computador, enquanto que muitos de nós julgamo-nos providos de vários conhecimentos, mas que estes, infelizmente são ainda teóricos.
Apesar de todas as vantagens, Papert refere uma critica ao facto das tecnologias nos dias de hoje serem demasiado opacas em comparação com as de antigamente, dando o exemplo de como antigamente, desmontava-se um rádio e percebia-se logo como ele funcionava, e que agora o mesmo já não acontece, principalmente com os programas de computador, em que quase nunca se percebe qual o sua origem e o que os faz funcionar
Com isto, termino a minha reflexão, reafirmando que este é um livro de leitura fácil e interessante, que nos prende, com a esperança de que quando o terminarmos de ler, nos vamos sentir muito mais literados acerca das tecnologias.