Que futuro terá a Educação na Era Tecnológica?
Papert identifica duas posições diferentes a esta questão, a optimista e a pessimista, designadas pelas Ciberutópicos e Cibercríticos, respectivamente.
Os primeiros vêem a revolução digital como algo que só nos vai trazer coisas boas e oportunidades a todos os níveis.
Os Cibercríticos reagem a esta questão como algo que nos vai prejudicar mais do que já prejudicou, tendo em conta tudo o que já investimos na tecnologia e de onde não retiramos nada de oportuno.
Posso afirmar que me sinto na mesma base que o autor, não vejo a tecnologia como algo de negativa mas também não a vejo como algo que nos venha salvar. Penso que em tudo existe prós e contras.
Gosto sobretudo do modo como o autor transpõe para o papel o sentimento de desagrado ou frustração quando se apercebe que existem mais pessoas no ensino, que julgam planificar as aulas com os computadores de uma forma ideal, quando esse ideal está longe de ser atingido, do que aqueles que o fazem, de facto, com algum bom desempenho.
Ele dá o exemplo da aprendizagem da tabuada, que apesar de se fazer uso ao computador, este uso é desonesto para com as crianças, porque apela também á memorização mecânica que sempre se usou, contrariando assim, a ideia de que as escolas devem fomentar os valores morais das crianças e de que a verdade das aprendizagens é o mais importante.
Para além disso, Papert dá exemplos de acontecimentos que valorizam o papel dos computadores e demonstram também o entusiasmo, por parte das crianças, na sua utilização, validando a ideia de que os computadores possibilitam às crianças a experimentação da excitação de procurarem e pesquisarem os conhecimentos em que estão interessados.
Isto faz-me reflectir nos meus problemas na escola, em que olhar durante 60 minutos para a professora a falar sobre algo que eu ainda não tinha percebido muito bem o que era, e muito menos percebido a importância que aquilo tinha para o meu desenvolvimento…será que, se as novas tecnologias já estivessem inseridas no nosso ensino com sucesso, existiriam formas mais interessantes e excitantes de dar a matéria que os professores são induzidos a dar através do currículo?
Não que isto fosse a solução, como é referido pelo autor, referindo-se aos ciberavestruzes como aqueles que querem aplicar o uso dos computadores nas escolas, mas apenas como um suporte para os programas já existentes, e que supostamente são pobres, do ponto de vista do autor, mas julgo já ser um ponto de partida.
Outros dos pontos mais importantes e interessantes para mim neste capítulo, é a referência á literacia e á fluência.
O primeiro, de uma forma resumida, diz respeito às competências adquiridas por um sujeito em uma determinada actividade, o segundo diz respeito á forma e o á vontade que esse sujeito tem para utilizar essas mesmas competências. O que é que isto implica?
Implica que o ser fluente em algo advêm da utilização, da prática e do esforço para resolvermos questões e situações.
Nunca tinha pensado neste facto desse prisma, mas de facto é verdade…a forma fácil e desprendida de medos que as crianças têm para retirar do computador os resultados que procuram, apenas com a experimentação, enquanto nós ficamos á espera de uma luz, com o receio de fazer algo de mal. Tem tudo a ver com a fluência que elas adquirem na utilização do computador, enquanto que muitos de nós julgamo-nos providos de vários conhecimentos, mas que estes, infelizmente são ainda teóricos.
Apesar de todas as vantagens, Papert refere uma critica ao facto das tecnologias nos dias de hoje serem demasiado opacas em comparação com as de antigamente, dando o exemplo de como antigamente, desmontava-se um rádio e percebia-se logo como ele funcionava, e que agora o mesmo já não acontece, principalmente com os programas de computador, em que quase nunca se percebe qual o sua origem e o que os faz funcionar
Com isto, termino a minha reflexão, reafirmando que este é um livro de leitura fácil e interessante, que nos prende, com a esperança de que quando o terminarmos de ler, nos vamos sentir muito mais literados acerca das tecnologias.
Tecnologias em Educação
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